



Livingstone entre em cena. Desesperado em encontrar a "Fonte", o presidente da Royal Geographical Society, Sir Roderick Murchison, apelou para um bom amigo. O Dr. David Livingstone era o maior explorador do mundo, um homem que tinha explorado o Deserto do Kalahari, margeado o Rio Zambezi desde sua fonte até o oceano, e caminhado sozinho cruzando a África. Os exploradores eram os astros de rock da Inglaterra Vitoriana, e nenhum homem foi mais reverenciado e admirado quanto Livingstone. Um feroz oponente do comércio de escravos africanos, o ex-missionário era tão famoso que foi louvado por multidões nas ruas de Londres, e até mesmo em igrejas. Tinha 51 anos de idade, e já tinha considerado seus dias de exploração como algo do passado, quando Murchison lhe pediu que encontrasse a "Fonte". Mas em consideração à sua amizade, Livingstone concordou em realizar uma última viagem.
Livingstone partiu para a África no dia 4 de abril de 1866. Ele estava viajando para o leste, em direção ao Oceano índico, seguindo o curso do Rio Rovuma, que agora forma a fronteira entre Moçambique e a Tanzânia. As coisas deram errado quase imediatamente. Seus carregadores desertaram, seus suprimentos médicos e provisões de alimentos foram perdidos e ele se viu reduzido a depender de comerciantes árabes de escravos para prover seu sustento enquanto continuava sua busca. A viagem que deveria durar apenas um ou dois anos estendeu-se a três anos, e depois quatro, e então cinco-e durante todo esse tempo ele não se comunicou com o mundo exterior. Em Londres, a preocupação com a sorte de Livingstone atingiu níveis febris. Havia rumores que ele tinha sido comido por canibais ou queimado na fogueira. Mas mesmo com tais rumores sendo ventilados nas páginas do jornal Times of London, ninguém foi à África para procurá-lo.
Stanley entra em cena. Henry Morton Stanley era o derradeiro enigma. Nascido no País de Gales como filho da prostituta e do alcoólatra da sua cidade, ele partiu em um navio para a América quando ainda adolescente. Lá, mudou seu nome de John Rowlands para Henry Stanley, mais tarde acrescentou "Morton" como nome do meio, e logo fingiria ser americano. Ele lutou tanto ao lado do norte quanto do sul durante a Guerra Civil antes de se tornar jornalista. Stanley passou a trabalhar para o jornal New York Herald, cujo proprietário, James Gordon Bennett, Jr., era um terrível e frenético agitador antibritânico que desejava nada mais do que superar o Times of London na busca por Livingstone. Para essa tarefa, convocou Stanley. Em janeiro de 1871, o aterrorizado repórter de 30 anos de idade chegou em Zanzibar para se lançar em uma missão secreta em busca de Livingstone. O que se seguiu seria a maior procura pela agulha no palheiro da história.
A essa altura, Livingstone estava na África Central. Ele não somente estava dependente dos traficantes árabes de escravos para obter alimentos e abrigo, mas sofria também de repetidos acessos de doença. Mesmo que desejasse tomar seu caminho de volta para a civilização, estava muito fraco e não possuía os meios para isso. Mas após testemunhar os árabes dizimarem várias centenas de aldeões africanos, Livingstone finalmente havia atingido seu limite. Fugiu então para a floresta, e seguiu em direção a oeste até a vila de Ujiji.
Stanley, enquanto isso, estava viajando para leste na direção de Livingstone. Dia após dia, quilômetro por quilômetro, seus caminhos se tornavam mais próximos. Stanley suportou a malária, varíola, guerras tribais, motins de carregadores e ataques de crocodilos. Chegou a perder 40 quilos de peso em uma semana devido à disenteria. Finalmente, em outubro, chegou a Ujiji.
Livingstone estava quase morto. Sem dentes, sofrendo de anemia e má nutrição, estava rezando quando ouviu a notícia de uma caravana que se aproximava. O povo de Ujiji correu para encontrar o grupo de Stanley, e um curioso Livingstone ergueu-se para juntar-se a eles. Quando os dois homens finalmente olharam um ao outro-os únicos homens brancos num raio de 1.600 quilômetros em qualquer direção-- Stanley diz que suas primeiras palavras foram simples, porém profundas: "Dr. Livingstone, eu suponho?"
Os dois homens logo se tornaram amigos. Em Livingstone, Stanley encontrou o pai que nunca teve. Ele cuidou de Livingstone para fazê-lo recuperar a saúde, e ambos passaram vários meses explorando a África juntos. Mas finalmente chegava a hora de retornar à Inglaterra. Livingstone, que ainda não tinha encontrado a "Fonte", se recusava a voltar. Stanley chorou ao se separarem, e prometeu enviar a Livingstone um novo grupo de carregadores e suprimentos para que continuasse sua missão. Stanley retornou para encontrar fama e fortuna na Inglaterra, e sua descoberta de Livingstone foi mais tarde considerada uma das maiores histórias jornalísticas do século XIX. Livingstone, porém, morreu de joelhos durante suas orações no dia 1º de maio de 1873. Os carregadores retiraram seu coração e o enterraram na África. Depois carregaram o corpo de Livingstone por quase 3.200 quilômetros até a costa, de onde foi depois transportado de volta para a Inglaterra. Seu funeral na igreja de Westminster Abbey foi um dos maiores da história moderna, com milhares de pessoas margeando a rota de passagem do seu caixão pelas ruas de Londres. Somente o funeral da Princesa Diana, mais de 100 anos depois, foi superior ao seu.
Henry Morton Stanley estava entre os que carregavam o caixão naquele dia de abril de 1874. Ao caminhar pelas grandes portas da igreja de Westminster Abbey em direção ao sol da primavera, jurou continuar o trabalho que Livingstone tinha deixado incompleto. E fez isso. Daquele dia em diante, Stanley não era mais jornalista, mas um explorador. Em sua viagem subsequente à África, determinou que o Lago Victoria seria a Fonte do Rio Nilo, provando que o malfadado Speke estava correto.